Home > Conhecimento > Due Diligence de Segurança em M&A > 87% das Empresas Falham em Due Diligence de Segurança em M&A: Diagnóstico Completo e Como Reverter em 2026

O mercado brasileiro de fusões e aquisições retomou crescimento consistente nos últimos anos, impulsionado por consolidações setoriais, private equity e transformação digital. Entretanto, enquanto avaliações financeiras e tributárias evoluíram em sofisticação, a due diligence de segurança da informação permanece subdimensionada. Estudos internacionais como o Verizon Data Breach Investigations Report (DBIR) 2024 apontam que 68% das violações envolvem fator humano e que exploração de vulnerabilidades cresceu mais de 180% em relação ao ano anterior. Em cenários de M&A, isso significa herdar riscos invisíveis.

Relatórios do IBM X-Force Threat Intelligence Index 2024 indicam que o tempo médio para identificar e conter um incidente ultrapassa 200 dias globalmente. Em uma aquisição, esse “passivo oculto” pode já estar ativo dentro do ambiente da empresa-alvo. No Brasil, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) intensificou fiscalizações e publicou guias orientativos que reforçam a responsabilidade solidária entre controladores em operações societárias.

A afirmação de que 87% das empresas falham na due diligence de segurança em M&A decorre de análises de mercado conduzidas por consultorias globais e benchmarks de maturidade baseados em NIST CSF 2.0 e ISO 27001:2022, que demonstram lacunas críticas em governança, gestão de riscos de terceiros e resposta a incidentes. Este artigo apresenta o framework definitivo, adaptado ao contexto regulatório brasileiro, integrando LGPD, CIS Controls v8 e MITRE ATT&CK v14.

O Cenário Brasileiro de M&A e o Aumento do Risco Cibernético

O Brasil mantém posição estratégica na América Latina em volume de transações de M&A. Setores como tecnologia, saúde, agronegócio e energia concentram grande parte das operações. Contudo, esses mesmos setores lideram estatísticas de ataques cibernéticos, segundo o IBM X-Force 2024, que destaca manufatura e finanças como alvos prioritários de ransomware.

A digitalização acelerada pós-pandemia expandiu superfícies de ataque. Integrações de sistemas, migrações para nuvem e adoção de APIs ampliam pontos de exposição. O Verizon DBIR 2024 ressalta que exploração de vulnerabilidades em aplicações web foi vetor dominante, especialmente em ambientes híbridos.

No contexto regulatório, a LGPD estabelece bases legais, princípios de segurança e obrigação de comunicação de incidentes. Em operações de aquisição, a empresa compradora pode assumir passivos decorrentes de tratamentos irregulares anteriores. A ANPD já sinalizou que mudanças societárias não eximem responsabilidade.

Dado relevante: O Ponemon Institute aponta que o custo médio global de uma violação de dados em 2023 foi de US$ 4,45 milhões, com tendência de crescimento. Em setores regulados, esse valor é significativamente maior.

Por Que 87% das Empresas Falham na Due Diligence de Segurança

A falha generalizada decorre de três fatores estruturais: visão limitada ao checklist técnico, ausência de integração entre jurídico e segurança, e subestimação do risco regulatório. Muitas avaliações concentram-se em varreduras superficiais de vulnerabilidade, ignorando maturidade de processos.

O NIST CSF 2.0 enfatiza governança como função central, reforçando que risco cibernético deve ser tratado como risco corporativo. Contudo, em M&A, decisões são frequentemente pressionadas por prazos e valuation, relegando segurança a etapa tardia.

Outro ponto crítico é a dependência de declarações da empresa-alvo sem validação independente. Sem mapeamento alinhado ao MITRE ATT&CK v14, não se avalia exposição real a técnicas predominantes como credential dumping, phishing avançado e exploração de serviços expostos.

Aviso de segurança: Assumir que certificação ISO 27001:2022 da empresa-alvo elimina riscos é um erro estratégico. A certificação atesta conformidade de escopo definido, não ausência de vulnerabilidades.

Framework Integrado: NIST CSF 2.0, ISO 27001:2022 e LGPD em M&A

A estrutura recomendada combina governança estratégica, controles técnicos e aderência regulatória. O NIST CSF 2.0 organiza-se nas funções Govern, Identify, Protect, Detect, Respond e Recover. Em M&A, a função Govern deve anteceder assinatura do SPA.

A ISO 27001:2022 contribui com requisitos formais de Sistema de Gestão de Segurança da Informação (SGSI), incluindo avaliação de riscos documentada e controles do Anexo A. Já a LGPD exige medidas técnicas e administrativas aptas a proteger dados pessoais.

A integração prática ocorre ao mapear controles ISO aos resultados desejados do NIST e aos princípios da LGPD, garantindo rastreabilidade jurídica e operacional.

PilarObjetivo em M&AFramework PrimárioEvidência Esperada
GovernançaAvaliar accountability e apetite a riscoNIST CSF 2.0 GovernPolíticas aprovadas pelo board
Gestão de RiscosIdentificar ativos críticos e dados pessoaisISO 27001:2022Matriz de riscos atualizada
Proteção de DadosConformidade com LGPDLGPD + ISORegistro de operações de tratamento
MonitoramentoCapacidade de detecçãoCIS Controls v8Logs centralizados e SIEM
RespostaPlano de IR testadoNIST RespondRelatórios de tabletop exercises

Avaliação Técnica Baseada em MITRE ATT&CK v14

Uma due diligence madura deve transcender questionários e incluir assessment técnico baseado em táticas, técnicas e procedimentos (TTPs). O MITRE ATT&CK v14 fornece matriz atualizada de comportamento adversário.

A análise deve considerar exposição a Initial Access, Execution, Persistence e Exfiltration. Testes controlados de segurança, como pentest e red teaming, podem identificar lacunas não documentadas.

O CIS Controls v8 complementa ao priorizar salvaguardas críticas, como inventário de ativos, gerenciamento contínuo de vulnerabilidades e MFA para acesso administrativo.

Dica prática: Exija evidências de implementação de MFA em contas privilegiadas e análise de logs de acesso remoto nos últimos 12 meses.

LGPD e Responsabilidade Solidária em Operações Societárias

A LGPD prevê sanções administrativas que podem chegar a 2% do faturamento, limitadas a R$ 50 milhões por infração. Em aquisições, a sucessão empresarial pode implicar transferência de obrigações.

A ANPD publicou guias de segurança e comunicação de incidentes que reforçam a necessidade de governança contínua. Empresas adquirentes devem revisar Relatórios de Impacto à Proteção de Dados (RIPD), quando aplicável.

A ausência de mapeamento de dados pessoais sensíveis pode gerar contingências ocultas, especialmente em setores como saúde e financeiro.

Indicadores Financeiros e Valuation Ajustado ao Risco Cibernético

Investidores internacionais já aplicam cyber risk scoring no valuation. O Gartner projeta crescimento contínuo de investimentos em cibersegurança, superando US$ 200 bilhões globais.

Modelos quantitativos consideram probabilidade de incidente multiplicada pelo impacto estimado. O custo médio de downtime, multas regulatórias e perda reputacional deve ser incorporado ao preço.

VariávelImpacto no ValuationFonte de Benchmark
Maturidade NISTReduz descontoAvaliação independente
Histórico de IncidentesAumenta contingênciaRelatórios internos
Conformidade LGPDMitiga risco regulatórioAuditoria jurídica
Dependência de TerceirosAmplia superfícieContratos e SLAs

Integração Pós-Aquisição: O Ponto Crítico

Grande parte dos incidentes ocorre no período de integração tecnológica. Conectar redes sem segmentação adequada amplia risco lateral.

Estratégias recomendadas incluem abordagem “clean room”, segregação temporária e avaliação de credenciais antes da integração plena.

Monitoramento reforçado via SOC 24x7 reduz janela de exposição durante transição.

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Estudos de Casos e Lições do Mercado Brasileiro

Casos públicos envolvendo vazamentos de dados em empresas brasileiras demonstram impacto reputacional significativo. Incidentes amplamente noticiados em varejo e saúde evidenciaram falhas de governança e controle de acesso.

Embora nem todos estejam diretamente ligados a M&A, ilustram como passivos digitais podem afetar valor de mercado e confiança.

A principal lição é que segurança deve ser critério estratégico na decisão de investimento.

Checklist Estratégico para Due Diligence de Segurança

DomínioPergunta CríticaEvidência
GovernançaExiste CISO formalmente nomeado?Ata de nomeação
RiscosAvaliação atualizada em 12 meses?Relatório de riscos
IncidentesPlano testado recentemente?Ata de simulação
LGPDDPO designado?Registro público
TerceirosDue diligence de fornecedores?Contratos revisados

O Caminho para a Maturidade em Due Diligence de Segurança em M&A

Empresas que tratam cibersegurança como variável estratégica conseguem reduzir incerteza, negociar melhor valuation e evitar contingências regulatórias. A adoção integrada de NIST CSF 2.0, ISO 27001:2022, MITRE ATT&CK v14 e LGPD posiciona organizações brasileiras em padrão internacional.

A maturidade não se limita à fase pré-aquisição. Monitoramento contínuo, cultura de segurança e governança ativa do board são determinantes para sustentabilidade pós-deal.

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FAQ – Due Diligence de Segurança em M&A

1. O que é due diligence de segurança em M&A?

É o processo estruturado de avaliação da postura de segurança da informação e proteção de dados de uma empresa-alvo antes de fusão ou aquisição, considerando riscos técnicos, regulatórios e financeiros.

2. Por que a LGPD é crítica nesse processo?

Porque estabelece responsabilidade solidária e sanções relevantes, exigindo verificação de conformidade prévia.

3. Certificação ISO 27001 elimina riscos?

Não. Ela demonstra aderência a requisitos de gestão, mas não garante ausência de vulnerabilidades.

4. Como o NIST CSF 2.0 apoia M&A?

Fornece estrutura orientada a resultados para governança e gestão de riscos.

5. O que avaliar em terceiros críticos?

Contratos, SLAs, controles de segurança e histórico de incidentes.

6. Pentest é obrigatório?

Não legalmente, mas é prática recomendada para validar exposição real.

7. Como calcular impacto financeiro?

Utilizando benchmarks como Ponemon e modelagem de risco.

8. Qual papel do board?

Definir apetite a risco e supervisionar governança.

9. O que é responsabilidade solidária?

Compartilhamento de obrigações entre controladores segundo LGPD.

10. Quanto tempo leva uma due diligence robusta?

De 4 a 12 semanas, dependendo da complexidade.

11. SOC 24x7 é necessário pós-aquisição?

Recomendado para reduzir tempo de detecção.

12. Como integrar culturas de segurança distintas?

Com comunicação clara, treinamento e políticas unificadas.